“Quando perguntados, em janeiro de 1939, quem os americanos queriam que ganhasse, se irrompesse uma guerra entre a União Soviética e a Alemanha. 83% foram a favor de uma vitória Soviética, contra 17% de uma alemã (MILLER. 1989, pp. 283-4)”. De fato, tendo em vista o enorme antagonismo presente no século XX entre o Capitalismo e o Comunismo, tal afirmação soa um tanto incomum.
É justamente sobre isso que Eric Hobsbawn fala no quinto capitulo de “A Era dos Extremos”. Como paises liberais uniram-se a União Soviética para combater o Fascismo, cujo maior representante era a Alemanha Nazista. Hobsbawn afirma que fora do contexto do Ocidente na década de 1930, tal evento não pode ser compreendido, devido a singularidade das políticas nacionais internas daquele período (p.145).
“...a fronteira passava não entre capitalismo e comunismo, mas entre o que o século XIX teria chamado de “progresso” e a “reação”...”. Tais fronteiras cortavam cada sociedade do Ocidente Europeu no dado período. Por isso, Hobsbawm caracteriza tal cenário como uma Guerra Civil Internacional. A “reação”, a Alemanha nazista, cuja política era embasada por seu projeto ideológico. E, o “progresso”, as sociedades herdeiras do Iluminismo do século XVIII e das grandes revoluções, tanto liberais quanto socialistas, que tinham um inimigo comum, o Fascismo (pp.146-8).
No decorrer do texto, o autor analisa com se efetivaram tais alianças, que, em um primeiro momento, pareciam impossíveis devido às dificuldades pelas quais tanto a direita quanto a esquerda passavam. O “medo” de uma nova guerra por parte da França e da Grã-Bretanha, que, por isso, empreenderam uma “política de apaziguamento”, tentando evitar um conflito direto com Hitler. E, os embates, na Esquerda, entre Comunistas e Social-democratas, que, com a ascensão do nazi-fascismo uniram-se para combatê-lo. Com o passar do tempo, ficou evidente que uma “política de apaziguamento” não funcionaria com Hitler. Com a guerra sendo praticamente inevitável, restava o abismo entre as ações do Eixo e agir a respeito.
A partir daí, Hobsbawm analisa a importância de movimentos como as resistências locais européias e a Guerra Civil Espanhola na derrubada do Fascismo. Para ele, a Guerra Civil na Espanha, apesar do isolamento do país em relação as questões políticas na Europa, moldou as forças que, mais tarde, atuariam na derrubada do Nazi-fascismo. Porém, os focos de resistência na Europa, até a queda da Itália, pouca importância tiveram para o conflito.
Enfim, para Hobsbawm, as alianças entre liberais e comunistas surgiram como uma contingência. Mais tarde, no final da Guerra, com a ausência do “inimigo comum”, os antagonismos começaram a ressurgir e se acirraram, com a Guerra Fria.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário