segunda-feira, 26 de maio de 2008

• Fichamento: BAUMAN, Zygmunt. Modernidade e holocausto. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1998. Capítulo 4: p. 106-141.

Genocídios fazem parte da historia da historia humana desde a antiguidade. Portanto, o que torna o Holocausto um acontecimento tão único e singular na modernidade? É, justamente sobre essa temática que Zygmunt Bauman trata no quarto capitulo de seu livro “Modernidade e Holocausto”.
Diferentemente de determinados assuntos, o Holocausto não deve ser encarado como um tema exclusivo do meio acadêmico. Pois, primeiro, ao contrario de determinados eventos históricos, o Holocausto pouco mudou, se é que mudou, a percepção humana em relação ao período pelo qual ela passa (p.108). Portanto, a compreensão dos fatores que possibilitaram o Holocausto não evoluiu muito até então. Segundo, não se pode ter certeza de que as condições que, em 1941, deram origem ao Holocausto, não estejam mais presentes na atualidade. Tendo em vista tais afirmações, percebe-se, segundo o autor, que a sociedade moderna ainda esta, de certa forma, despreparada para notar e decodificar os “alertas” para tal acontecimento.
A tese principal de Bauman consiste em analisar a singularidade do Holocausto como sendo fruto da Modernidade. Seu caráter “natural” foi gerado por fatores intimamente ligados a essa era (p.112). O autor afirma que, diferentemente de seus antepassados históricos, o genocídio moderno é racional, planejado, cientificamente embasado e, o principal, é eficiente. Além disso, o acaso, a contingência e os fatores pessoais e emotivos são substituídos por mecanismos burocráticos que eliminam a atuação destes na realização da matança (p.114).
A inserção de uma burocracia eficiente aliada a uma divisão planejada de tarefas afasta cada vez mais o carrasco da(s) vitima(s), eliminando assim qualquer sentimento, seja raiva, ódio ou misericórdia. Alem disso, a desumanização do alvo, sua transformação em dados estatísticos contribui ainda mais para a eliminação de tais aspectos pessoais.
Além disso, a matança em si, não é o objetivo último. Ao contrario, é apenas um instrumento para alcançar o objetivo maior. Como exemplificado no texto, os dois grandes genocidas, Hitler e Stálin, sonhavam com uma sociedade mais evoluída. Portanto, tudo que não fosse adequado a tal projeto deveria ser sistematicamente eliminado para abrir caminha a realização de tal ideal (pp. 116-7).
Ao final do texto, Zygmunt Bauman, alerta a sociedade moderna para atentar aos instrumentos que possibilitaram o Holocausto. Estes, segundo ele, ainda estão fortemente presentes na atualidade. Portanto, deve-se atentar para certos comportamentos e formas de pensar para, mais uma vez, não embasarmos mais um holocausto.

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