segunda-feira, 23 de junho de 2008

• GOODRICK-CLARKE, Nicholas. Sol Negro: cultos arianos, nazismo esotérico e políticas de identidade. São Paulo: Madras, 2004. Capítulo 14 (Crenças con

Segundo o autor do texto, todo o simbolismo nazista fundamenta-se no conceito de raça. Seu objetivo é negar o enfraquecimento da “raça” branca em função do crescimento de etnias consideradas inferiores, como: negros, mulçumanos, latinos e judeus. Apoiado em mitologias e promessas milenaristas, o esoterismo nazista acredita que a raça branca, devido à influência de tais grupos, esta incapacitada de exercer seu domínio sobre o mundo. Para exemplificar o que foi dito, Goodrick-Clarke utiliza-se do exemplo norte-americano.
Na década de 60, nos Estados Unidos, grupos formados por negros lutavam pelo reconhecimento, por parte do Estado e da Sociedade, de sua condição minoritária e por benefícios e compensações. Mais tarde, devido a tais manifestações, programas de igualdade “racial” começaram a surgir em vários âmbitos da sociedade, como: programas de igualdade no trabalho e na educação, por exemplo. Tais medidas, por basear-se em critérios raciais, contribuíram sobremaneira para aumentar o racismo por parte dos indivíduos de “raça” branca.
Além disso, nos últimos anos, o aumento exponencial das imigrações ilegais, comparadas com as realizadas no âmbito legal, vem contribuindo para a radicalização de grupos xenófobos nos EUA. Tais grupos preocupam-se com os benefícios cedidos, por parte do governo, a imigrantes, como: educação e direitos políticos.
Goodrick-Clarke, por fim, destaca que o multi-ulturalismo no Ocidente está gerando, cada vez mais, uma hostilidade com relação ao Liberalismo. O aumento de cultos arianos pode ser o indício de uma desestabilização nas democracias do ocidente.

• VIZENTINI, Paulo F. “O ressurgimento da extrema direita e do neonazismo: a dimensão histórica e conceitual” In.: MILMAN, Luís, VIZENTINI, Paulo. Neo

Para Vizentini, o nazismo não se restringe a determinadas questões ou enquadramentos. Está intimamente ligado a problemas internacionais como a crise do Liberalismo e da noção de progresso nos anos 20. Inicialmente, o movimento surgiu como um resgate às tradições conservadoras anteriores à Revolução Francesa e que, definitivamente, com a Revolução Russa e a Primeira Guerra, foram esquecidas.
Inicialmente, na conjuntura da década de 20, as potencias européias nada fizeram para combater o nazi-fascismo ainda nascente. Consideravam-no um “mal menor” e um instrumento para combater a expansão socialista. Em 1945, o Fascismo foi derrotado, mas não erradicado. Regimes de orientação fascista mantiveram-se no poder após o final da guerra. Além disso, o movimentos nazi-fascista, em si, não deixou de existir, perdurando até os dias atuais sem, no entanto, perder suas características mais exacerbadas.
O cenário da Guerra Fria, segundo Vizentini, contribuiu, também, para a perpetuação do nazismo. A divisão explicita entre Esquerda e Direita possibilitou a radicalização de ambas as partes. Além disso, outros episódios do período pós-guerra contribuíram sobremaneira para a continuação do nazi-fascismo. Como exemplo destes estão a absolvição de lideres da cúpula nazista, nos julgamentos de Guerra a partir de 45 e o aproveitamento da mão de obre intelectual nazista pelas potencias antagônicas da Guerra Fria.
Além disso, o cenário da década de 70 deu um impulso aos movimentos de extrema-direita, segundo o autor. Neste período, manifestações xenofóbicas cresceram devido ao maior incentivo, por parte das grandes potencias da época, à imigração, devido à necessidade de mão de obra barata, ocasionada pelas crises do Petróleo. Atualmente, manifestações de xenofobia, principalmente na Europa, são, em sua maioria, encabeçadas por grupos neo-nazistas e de extrema-direita.
Por fim, Vizentini afirma que todas as sociedades devem se aliar para defender a herança da época do Renascimento. Pois, atualmente, estamos vivenciando uma espécie de declínio dos valores apregoados nessa época.

• MILMAN, Luis. “Negacionismo: gênese e desenvolvimento do genocídio conceitual” In.: MILMAN, Luís, VIZENTINI, Paulo. Neonazismo, negacionismo e extre

O autor, no texto, procura estabelecer e abordar as origens do chamado Negacionismo, tendo como base sua argumentação e suas defesas. Por estar intimamente ligado ao neo-nazismo, o Negacionismo representa, ainda hoje, uma ameaça real. Fundamentando-se em absurdos e irracionalidades, o Negacionismo luta contra provas irrefutáveis. Tenta, a todo o custo, negar fatos que a Historiografia já comprovou.
Milman, assim como Krause-Vilmar, afirma que o principal ponto da defesa dos negacionistas esta na existência dos campos de extermínio e no número de judeus mortos durante a guerra. Para Milman, os documentos oriundos da época da Guerra bastam para derrubar o argumento dos Negacionistas. Além disso, a falta de documentos, proposital, que comprove a existência das câmaras de gás, é outro foco da proposta negacionista. Segundo Milman, os nazistas, ao final da guerra, procuraram eliminar qualquer prova do Holocausto.
A metodologia dos autores negacionistas segue, na maioria das vezes, a mesma tendência. A negação de alguns documentos e o uso exagerado daqueles que lhe são úteis. Além disso, afirmam que relatos orais não são confiáveis por se tratarem de uma conspiração judaica internacional.
Segundo o autor, a tentativa de Revisionistas e Negacionistas de omitir os horrores do Holocausto representa uma ameaça e, portanto, deve ser combatida. A memória daqueles que foram vitimas de Auschwitz, Treblinka, Beizec deve ser preservada. Como um exemplo daqueles que deram suas vidas para resistir ao nazismo.

• Fichamento: KRAUSE-VILMAR, Dietfrid. “A negação dos assassinatos em massa do nacional-socialismo: desafios para a ciência e para a educação política

Primeiramente, o autor inicia o texto com a definição do que seria Revisionismo (ou Negacionismo). Segundo ele, era o nome dado ao movimento que pretendia revisar a historia sobre os crime nazistas. Além disso, mais tarde, tal movimento passou, realmente, a negar que qualquer espécie de genocídio tivesse ocorrido por parte dos alemães.
A base para a argumentação dos autores revisionistas fundamenta-se na negação de determinados aspectos relacionados ao Holocausto, como: O número de vítimas, Técnicas usadas no extermínio, Fontes históricas apresentadas, Locais dos campos de extermínio e a existência de câmaras de gás. A negação da tentativa de extermínio dos judeus europeus e a minimização dos crimes cometidos pela Alemanha estão, também, freqüentemente no discurso dos negacionistas que chegam, inclusive, a questionar a culpa da Alemanha nazista pelo romper da Segunda Guerra Mundial. É importante notar que o discurso revisionista, embora procure fundamentar-se em dados lógicos, empíricos, na maioria das vezes cai em contradição. Observa-se, também, a passagem de tal discurso para o negacionismo puro. O discurso relativista da lugar a negação explicita dos crimes de guerra.
Atualmente, existem centros de estudo dedicados à pesquisa revisionista. Tais instituições organizam, periodicamente, simpósios, seminários, com o intuito de divulgar a, suposta, pesquisa acadêmica sobre o assunto. Tais trabalhos, às vezes, apresentam hipóteses fantasiosas e absurdas.
Porém, o foco principal, segundo o texto, dos revisionistas, é o campo de Auschwitz. Estes, dão especial atenção ao assunto, deixando de lado certos temas que de maneira nenhuma podem ser ignorados, como: o programa nazista de eutanázia e os horrores cometidos em outros campos como Beizec e Treblinka.
Portanto, ao final do texto, o autor refuta a tese revisionista de que o Holocausto faz parte do imaginário do pós-guerra, alegando a existência de relatos primários de pessoas envolvidas no episodio, como ex oficiais e soldados da SS. Para Krause-Vilmar, o revisionismo deve ser combatido e os crimes de guerra nazistas jamais esquecidos ou ignorados.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

• Resenha do livro: O Diário de Anne Frank.

Anneliese Marie Frank, mais conhecida como Anne Frank, filha de Otto Frank e Edith Frank, foi uma jovem de origem judia, nascida na Alemanha no ano de 1929. Em 1933, com quatro anos de idade, Anne Frank foi obrigada a deixar o país junto com os pais, indo morar em Amsterdã, na Holanda. Em 1942, aos treze anos de idade, e com a Holanda já ocupada pelos nazistas, Anne ganha de presente de aniversario, um diário, ao qual ela chama de “Kitty”. No mesmo ano, com a perseguição aos judeus em vigor na Holanda, Otto Frank e sua família, junto com mais quatro pessoas, decidem se esconder em casa, a fim de não serem deportados para algum Campo de Concentração.
Durante cerca de dois anos, Anne tentou descrever ao máximo o quotidiano no “Anexo Secreto”, nome pelo qual ela chamava o anexo de quartos atrás do escritório de seu pai, onde todos estavam escondidos. A preocupação diária com a falta de suprimentos, o medo constante de serem descobertos, tudo foi descrito com pormenores no diário. A essa altura, Anne já demonstrava uma maturidade surpreendente para uma menina de apenas treze anos de idade. De fato, uma maturidade que só o horror da guerra pode gerar.
"Sem Deus eu já teria sucumbido. Eu sei que não tenho segurança, tenho medo das celas e do campo de concentração, mas sinto que criei mais coragem e estou nos braços de Deus.". Com uma fé inabalável, Anne mostra que, apesar dos “altos e baixos”, nunca perdeu a esperança e a alegria de viver. Sonhava em voltar à escola e se tornar uma escritora famosa, o que, de fato, ocorreu.
Em 1947, seu pai, Otto Frank, publicou suas anotações sob o titulo de “O Diário de Anne Frank”. Seu sonho tornara-se realidade, mas, infelizmente, ela não viveu o suficiente para desfrutá-lo. Em 1945, após ter sido capturada pelos nazistas, Anne Frank e sua irmã Margot morreram de Tifo no Campo de Concentração de Bergen-Belsen.
Como um dos escritos mais importantes do século XX, “O Diário de Anne Frank” é capaz de nos transportar a realidade narrada. O livro em nenhum momento menciona os, já conhecidos, horrores do Holocausto. Pelo contrário, trata de uma situação não muito longe do alcance de nossa imaginação. Talvez, seja esse o elemento que torna o texto tão singular. É a terrível saga pela qual muitas famílias judias passaram, o quotidiano da Segunda Guerra Mundial, aos olhos de uma menina como outra qualquer.
"Cerca de dez anos depois do fim da guerra, vai parecer esquisito quando se disser como nós judeus vivemos, comemos e conversamos aqui. (...) Não quero ter vivido inutilmente, como a maioria das pessoas. Quero ser de utilidade e alegria para as pessoas que vivem à minha volta e para as que não me conhecem"