segunda-feira, 31 de março de 2008

• Fichamento: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 1: p. 13-49.

Segundo Paxton, o Fascismo foi a grande inovação política do século XX, “um movimento popular contra a esquerda e contra o individualismo liberal” (p.46). Em seu texto, ele expõe as diversas formas que a historiografia, ao longo do tempo, utilizou para analisar o Fascismo e suas características, identificando os problemas decorrentes de cada uma dessas abordagens e propondo uma maneira de entender esse movimento político sem, de forma alguma, minimizá-lo.
O Fascismo surgiu oficialmente no ano de 1919 em Milão, com a reunião de um grupo de veteranos de guerra, sindicalistas e intelectuais futuristas em torno de Benito Mussolini, para declarar guerra ao socialismo que outrora se opôs ao nacionalismo italiano. Inicialmente, as propostas fascistas refletiam diretamente os grupos que o compunham, nacionalismo extremista, anticapitalismo, uso direto de violência contra seus inimigos e opositores e imenso desprezo pela ordem vigente.
O autor também menciona que, diferentemente da maioria das correntes políticas que vigoravam no século XX, o Fascismo não era um sistema ideológico fundado em proposições políticas elaboradas pelos estudos de um intelectual. Ao contrario, era um movimento essencialmente de massas, não possuía um programa político claramente definido. Suas propostas eram embasadas por uma meta final, “(...) realizar o destino de uma raça, ou povo, ou sangue eleito, engalfinhado numa luta darwiniana com outros povos (...)” (p.38-39). Portanto, a partir disso, Paxton conclui que cada movimento fascista guarda suas particularidades, estas, oriundas do ambiente político e social em que o movimento foi gerado.
Para entender o Fascismo em sua totalidade, é necessário encará-lo como um processo. Partir de definições, segundo o autor, é algo limitante, visto que torna estático algo que é bem melhor entendido quando tomado em movimento. Constantemente, estudiosos procuram identificar o fascismo pelo que ele fez ou disse em determinado momento. Para Paxton, “a procura pela definição perfeita, reduzindo o fascismo a uma sentença cada vez mais precisa, parece calar as perguntas sobre sua origem e trajetória de desenvolvimento, mais que abrir espaço para elas” (p.36).
Ao final do texto, o autor apresenta três tipos de abordagens decorrentes da dificuldade de definir o que pode ser considerado como sendo “Fascista”. A primeira, consiste na negação do próprio termo “fascismo”. Na pagina 45 lê-se: “(...) alguns acadêmicos, exasperados com o desleixo com que o termo costumava ser usado, negam que ele tenha qualquer significado”. Paxton afirma que o termo deve ter seu significado original resgatado, e não simplesmente descartado em razão desse mau uso. A segunda abordagem consiste em aceitar a diversidade inerente ao movimento político e compilar, como em uma enciclopédia, suas muitas formas. Tal forma de estudo implica em classificar o fascismo levando em consideração somente sua aparência externa, e ,por isso, é deixada de lado, momentaneamente, pelo autor. A proposta sugerida consiste em analisar o movimento fascista “em ação, desde seus primórdios até o cataclismo final, no interior da complexa teia de interações com a sociedade por ele formada” (p.47). Para isso, Paxton propõe uma análise em 5 estágios: (1) a criação dos movimentos; (2) seu enraizamento no sistema político; (3) a tomada do poder; (4) o exercício do poder; (5) e, por fim, o longo período de tempo durante o qual o regime opta ou pela radicalização ou pela desordem. É necessário analisar os estágios separadamente pois, “as ferramentas conceituais que iluminam um estagio podem não funcionar tão bem para os demais” (p.49).