domingo, 6 de abril de 2008

• Fichamento: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 8: p. 335-361.

Em suma, no oitavo capitulo de seu livro, o autor propõe uma definição “precisa e utilizável” (p.358) para o Fascismo. Ao longo do texto, uma série de propostas elaboradas por outros autores, para definir o que seria o Fascismo, são apresentadas e criticadas por Paxton que expõe os enganos decorrentes de cada uma delas.
O autor enfatiza, antes de iniciar tal exposição, que “uma definição que faça total justiça ao fenômeno do fascismo deve levar em conta os estágios finais, tanto quanto os iniciais” (p.336). Dentre as diversas interpretações apresentadas no texto, estão:

1. A tradicional concepção marxista de que o Fascismo foi um mero instrumento do capitalismo. Esta, nega a autenticidade de seu apelo popular e o reduz ao resultado inevitável de uma crise de superprodução capitalista. (p.337)

2. A interpretação oposta à anterior consiste em colocar o empresariado como vítima do Fascismo. Segundo o autor, esta leva muito em consideração as tentativas empreendidas no pós-guerra dos empresários se eximirem de qualquer culpa. (p.338)

3. Outros enfoques apresentados são decorrentes de análises “psico-sociológicas”. Estas se enganam ao conferirem demasiada atenção ao caráter excessivamente obsessivo e, em alguns casos, insano de alguns fascistas, ou ao ambiente social no qual este se desenvolveu.


Uma visão que merece destaque e que, segundo o autor, partilhada por uma “multidão de observadores” (p.345) é a que vê o fascismo como uma “subespécie de totalitarismo” (Idem). Acerca desta, escreve Paxton: “A imagem totalitária pode evocar de forma poderosa os sonhos e as aspirações dos ditadores, mas, na verdade, prejudica o exame da questão de importância mais vital, ou seja, com que eficiência os regimes fascistas conseguiam se encaixar nas sociedades, em parte submissas e em parte recalcitrantes, governadas por eles.” (p.350).
Mais adiante, Paxton propõe que se estabeleçam “fronteiras” entre “(...) ele e outras formas superficialmente assemelhadas” (p.353). São apresentados regimes constantemente rotulados como fascistas, como por exemplo: a França de Vichy, a Espanha de Franco e Portugal de Salazar. Porém, para o autor, cada um desses regimes possuía uma característica própria que os afastava do Fascismo propriamente dito.
Concluindo, na última parte do texto, Paxton afirma que:

“O fascismo tem que ser definido como uma forma de comportamento político marcada por uma preocupação obsessiva com a decadência e a humilhação da comunidade, vista como vitima, e por cultos compensatórios da unidade, de energia e da pureza, nas quais um partido de base popular formado por militantes nacionalistas engajados, operando em cooperação desconfortável, mas eficaz com as elites tradicionais, repudia as liberdades democráticas e passa a perseguir objetivos de limpeza étnica e expansão externa por meio de uma violência redentora e sem estar submetido a restrições éticas ou legais de qualquer natureza” (p.359).
Para ele, “(...) a melhor maneira de deduzir as idéias subjacentes às ações fascistas é a partir dessas próprias ações (...)” (p.359). Partindo disso, ele expõe uma série desses atos que, no segundo capítulo de seu livro, ele chamou de “paixões mobilizadoras”. Por meio destas “paixões mobilizadoras” e segundo a visão proposta, o Fascismo seria visível ainda nos dias atuais. Com isso, Paxton encerra o texto através da seguinte afirmação:

“Não é fácil determinar as reações corretas ao avanço fascista, uma vez que seu ciclo não tende a se replicar de maneira cega. No entanto, nossas chances de reagir de forma sensata serão muito maiores se compreendermos de que forma ele veio a alcançar êxito no passado” (p.361).




BIBLIOGRAFIA: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 8: p. 335-361.

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